Revista LOJAS Papelaria - Edição 296

42 LOJAS PAPELARIA NEGÓCIOS A crise econômica provocada pela pandemia do novo coro- navírus atingiu de forma pra- ticamente indistinta, homens e mulheres que empreendem no Brasil. Entretanto, segundo pesquisa realizada pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas, as mulheres empreendedoras de- monstraram maior agilidade e competência ao implementar inovações em seus negócios. De acordo com o levantamen- to, a maioria das mulheres (71%), faz uso das redes sociais, aplicativos ou internet para vender seus produtos. Já o percen- tual de homens que utilizam essas ferramentas é bem menor: 63%. Essa vantagem das mulheres diante dos empresários também foi verificada no uso do delivery e nas mudanças desenvolvidas em produtos e serviços. A pesquisa realizada entre os dias 27 e 31 de agosto revelou que a maioria dos empresários registrou uma diminuição do faturamento mensal, a partir do início da pandemia, com uma situa- ção ligeiramente pior para as mulheres (78%), em comparação com os empresários do sexo mas- culino (76%). Por outro lado, elas passaram – por força das medidas de isolamento social – a utilizar mais as vendas online do que os homens (34% delas contra 29% dos empreendedores). As mu- lheres donas de negócios também inovaram mais na oferta de seus produtos e serviços (11%) contra 7% dos homens; e usaram mais os serviços de delivery (19%), enquanto 14% dos empresários passaram a adotar essa mesma estratégia. Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, esse fenômeno pode ser explicado – em grande parte – graças ao nível de escolaridade das mu- lheres empreendedoras. “As mulheres são mais escolarizadas do que os homens: 63% delas têm nível superior incompleto ou mais, contra 55% dos homens com esses mesmos níveis de Mulheres adotaram mais inovações em suas empresas, durante a pandemia Percentual de empreendedoras que vendem pela internet, fazem uso das redes sociais, inovam em produtos e serviços, bem como na entrega por delivery, é superior ao de empresários do sexo masculino escolaridade”, comenta. Outra possível explica- ção pode estar, segundo o presidente do Se- brae, no fato do percentual de mulheres jovens empreendendo ser maior do que o de homens (24% delas têm até 35 anos contra 18% deles). Dívidas e crédito Ainda de acordo com os dados da pesquisa, as mulheres têm se mostrado mais avessas a empréstimos bancários do que os homens. Desde o início da crise, 54% dos empresários do sexo masculino buscaram crédito enquan- to a proporção de mulheres é praticamente a oposta: 55% delas não buscaram empréstimos. Outro aspecto que também mostra uma di- ferença significativa de comportamento entre homens e mulheres é o percentual de endivida- mento. Enquanto a maior parcela dos empre- sários (37%) tem dívidas/empréstimos em dia, a parcela mais representativa das mulheres é aquela que afirma não ter dívidas (36%). Local de trabalho Em sintonia com dados históricos do Sebrae, o último levantamento mostrou que há uma pre- dominância das mulheres em empreendem em casa (35%), em comparação com os homens (29%). Em geral, essa situação se dá em razão das mulheres buscarem compatibilizar a rotina do negócio com as demandas da família. A pes- quisa também revelou que a maioria dos empre- endedores está em processo de reabertura, com ligeira vantagem para as mulheres (76%) em re- lação aos homens (75%). Outros dados da pesquisa - As mulheres estão mais pessimistas quanto ao retorno da clientela. 68% delas contra 61% dos homens acham que menos da metade dos clien- tes voltarão em 30 dias. - Empreendedores masculinos e femininos acre- ditam que a situação econômica do país voltará ao normal em 11 meses. - 6 em cada 10 empreendedores (ambos os se- xos) tiveram que implementar mudanças para continuar a funcionar, por causa da crise. - Apenas uma minoria dos empresários (8%), de ambos os sexos, disse que demitiu nesse perí- odo de crise, com os homens tendo demitido, em média, três funcionários e as mulheres, dois. - A maior parte dos empresários, ambos os se- xos, não tomou nenhuma medida em relação aos funcionários. Entre os que adotaram, 32% das mulheres optaram por suspender o contrato de trabalho, enquanto 27% dos homens tam- bém fizeram isso. - A maior parte dos empresários não sabe da opção de pedir empréstimo pela maquininha de cartão (53% das mulheres e 43% dos homens). Apenas 2% dos empresários (ambos os sexos), que conheciam essa opção, fizeram o pedido. - 6 em cada 10 empresários que buscaram em- préstimos não tiveram sucesso. Apenas 22% dos homens e 23% das mulheres conseguiram empréstimos. - A maior parte dos empresários (22% dos ho- mens e 17% das mulheres) alega que o banco não informou o motivo para a não concessão do empréstimo, mas outra parte expressiva (16% dos homens e 17% das mulheres) apon- tou como principal motivo o CPF negativado ou com restrição. - Metade dos empresários entrevistados atuam no setor de Serviços. - Enquanto a maior parcela dos empresários do sexo masculino (31%) está em atividade há mais de 10 anos, a maior parte das mulheres (27%) atua no mercado entre dois e cinco anos.

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