Queda nas vendas de papelaria reforça a necessidade de ampliar o mix e atender também profissionais, home offices e pequenos negócios
O segundo semestre começou com um sinal de atenção para o varejo. Em julho, o volume de vendas do comércio brasileiro recuou 0,8% em relação a junho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. O segmento de livros, jornais, revistas e papelaria caiu 4,2%, registrando a segunda retração mensal consecutiva.
Na direção oposta, a categoria de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação avançou 0,6% no mês e 2,5% na comparação com julho de 2025. A diferença entre os resultados indica uma oportunidade para papelarias que ainda concentram boa parte das vendas em produtos escolares, itens de reposição e mercadorias facilmente comparáveis pelo preço.
O cenário geral também exige cautela. O Índice Cielo do Varejo Ampliado apontou queda real de 2% nas vendas em agosto, ante o mesmo período do ano anterior. Foi o 15º mês consecutivo de retração real e o resultado mais fraco para agosto desde 2020 e a avaliação da Cielo é que o consumidor continua comprando, mas está mais seletivo e distribui os gastos com maior cuidado entre canais e categorias.
Nesse ambiente, reduzir preços pode ajudar a movimentar o estoque no curto prazo, mas dificilmente sustenta uma estratégia permanente. Quando a loja disputa a venda apenas pelo menor valor, comprime a própria margem e entra em uma comparação direta com grandes redes e marketplaces, que costumam operar com maior escala.
Para papelarias de bairro e pequenos varejistas, uma alternativa está na ampliação do papel ocupado pela loja. Além de atender famílias e estudantes, esses estabelecimentos podem se tornar pontos de solução para profissionais liberais, trabalhadores em home office, microempreendedores e pequenos escritórios.
Isso envolve incorporar ao mix categorias com uso profissional e maior vida útil, como calculadoras, fragmentadoras, plastificadoras e refiladoras. São equipamentos ligados a necessidades concretas, como organização, produtividade, conservação de documentos e descarte seguro de informações.
A CHTech avalia que essa diversificação permite ao lojista participar de ocasiões de compra menos dependentes do calendário escolar. Uma fragmentadora pode atender um escritório preocupado com o descarte de documentos. Uma plastificadora pode ser útil para escolas, clínicas, restaurantes e pequenos comércios. Calculadoras profissionais atendem desde estudantes até áreas administrativas e financeiras.
A lógica não consiste apenas em adicionar novos produtos às prateleiras. O varejista precisa compreender a necessidade do cliente, demonstrar a aplicação do equipamento e organizar a exposição por solução. Isso reduz a comparação baseada exclusivamente no preço e permite que a equipe venda utilidade, durabilidade e adequação ao uso.
O desafio está em equilibrar produtos de giro rápido, importantes para gerar fluxo, com categorias capazes de elevar o tíquete e ampliar a margem da operação. Em um varejo mais lento, insistir somente no menor preço pode custar caro. Ampliar o público atendido e oferecer soluções com valor percebido maior tende a construir uma operação menos vulnerável às promoções e à sazonalidade.






