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Pagamentos pelo celular crescem no Brasil

24/04/2018 - 16:04

Assim como o dinheiro de papel evoluiu para o dinheiro de plástico (cartão de crédito e débito), o próximo passo será uma evolução para o pagamento realizado diretamente através dispositivos móveis. É uma evolução que já está acontecendo fora do Brasil através de diversas empresas e aplicativos que reconheceram a atual demanda das novas gerações de consumidores.

Tanto consumidores quanto estabelecimentos comerciais vivem uma silenciosa revolução dos meios de pagamento. Relógios, anéis, pulseiras e até adesivos já são uma realidade na hora de pagar as contas. Mas quem tem se destacado mesmo são os celulares que, através de aplicativos específicos, transformam-se em verdadeiras carteiras digitais.

Segundo dados do Banco Central (BC), os pagamentos pelo celular e outros dispositivos móveis aumentaram cerca de 2275% nos últimos cinco anos. Em sua newsletter "Conexão Real", o Banco ainda destaca que as 16,7 bilhões de transações feitas em 2016 por equipamentos móveis mostram que esse canal tem ganhado cada vez mais a preferência dos brasileiros e já responde por 28% das operações. Em 2015, essa participação era de 19%.

Conforme revelam os dados da Pesquisa de Tecnologia Bancária, encomendada pela Febraban e que envolveu 17 instituições financeiras no Brasil, representando 91% do mercado, 9,5 milhões de clientes já são considerados heavy users, ou seja, são usuários constantes por meio de smartphones. Esse público realiza mais de 80% de suas operações por esse canal.

Mas esse crescimento não é reservado apenas às terras tupiniquins. Em países como a China, os pagamentos móveis como o WeChat Pay, o Alipay ou o Apple Pay se tornaram tão comuns que até mesmo os vendedores ambulantes e as lojas de revistas disponibilizam esse meio, como mostram dados da CGTN (China Global Television Network). Os músicos que tocam nas ruas chinesas, por exemplo, dispõem de placas com QR Codes. Por conta disso, o volume de pagamentos via mobile em 2016, chegou a US$ 5,5 trilhões, na China, enquanto os EUA somaram US$ 112 bilhões, conforme a consultoria iResearch.

Para necessidades diferentes, métodos diferentes

Além do QR Code, onde um código de barras bidimensional é escaneado por meio da câmera fotográfica do smartphone ou tablet, outro método utilizado é o via SMS ou USSD, (Dados de Serviços Suplementares Não Estruturados), oferecidos no Brasil pelas operadoras de celular, como o Oi Carteira, Zuum Vivo, Multibank Tim Caixa e Meu Dinheiro Claro. A desvantagem, no entanto, é que como cada uma tem um sistema próprio, só é possível utilizar a solução da empresa com a qual o smartphone ou tablet foi habilitado.

Com mais de 70% do total, de acordo com Percival Jatobá, vice-presidente de produtos da Visa do Brasil, uma das principais tecnologias utilizadas para o pagamento através do celular no Brasil é a NFC (Near Field Communications), também conhecida como contactless, que não exige o contato do aparelho com a máquina registradora. Por ser extremamente rápido, esse sistema é amplamente utilizado em transportes públicos na China e, no Japão, é uma forma comum de comprovação de identidade através de aproximação.

As chamadas carteiras digitais, por sua vez, são opções de pagamento bastante flexíveis, que funcionam como contas bancárias, mas apresentam as vantagens de não exigir nenhum processo burocrático para a abertura de conta e nem possuem taxas de manutenção.

O Code Money, por exemplo, é um aplicativo que funciona como uma carteira digital e realiza transações através do celular entre pessoas físicas e estabelecimentos através da leitura de QR Code, até mesmo offline. Para utilizá-lo, basta criar uma conta no aplicativo e registrar as informações de seu cartão de crédito ou usar na modalidade pré-paga, adicionando valores via boleto bancário para que as transações sejam computadas de uma forma automatizada.

As transações são realizadas de celular para celular, onde os estabelecimentos comerciais recebem usando apenas o smartphone, sem a necessidade de ter um POS (maquininha de cartão), o que acaba gerando uma economia mensal para as empresas, porque soluções iguais a da Code Money não tem mensalidade e nem taxa de adesão.

Um universo de possibilidades

Ao pensar em pagamentos via celular, o consumidor deve estar preparado para dispor de uma série de vantagens "invisíveis". A segurança, a conveniência de deixar a carteira em casa, a possibilidade de resolver tudo em um único dispositivo, a exclusão do vínculo bancário e as taxas aplicadas, bem menores do que as convencionais, são alguns elementos que se destacam e tornam a experiência de comprar muito mais descomplicada.

Nos idos de 2013, a consultoria inglesa eDigitalResearch já destacava que termos como "conveniência" e "rápido e mais fácil de usar" eram apontados pelos usuários de internet como os principais benefícios de pagamentos via mobile em comparação com o saque de dinheiro em caixas eletrônicos e o uso de cartões de crédito ou débito.

É interessante perceber que esse período de revolução silenciosa, ao qual consumidores e comerciantes se encontram, precede a popularização desses recursos inovadores, com mais de 20 bilhões de dispositivos conectados até 2020, segundo o Gartner, e um novo mundo de oportunidades que se abre para a indústria de pagamento brasileira.

Se antes, ao finalizar uma compra era comum ouvir "dinheiro ou cartão?", agora a possibilidade de responder "no celular, por favor" tornou-se ainda mais pertinente.

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